segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Lucro, dinheiro: O sistema do mundo... E seus representantes: Bunge e cia ltda.

Para quem nunca refletiu sobre algumas das conseqüências mais dramáticas dos produtos na Bunge sobre a humanidade: Óleo de soja refinado, margarina == obesidade.

Uma pergunta para quem mora na Grécia, Itália, Espanha, Portugal, e de repente convive com quem entende: oliveiras precisam ser adubadas com fosfato?

As monoculturas de soja, sim!

Vejam esta notícia n"O Estadão" e o último comentário, de um defensor do atual estado de coisas (que resposta ele merece?):

Domingo, 20 de Setembro de 2009 | Versão Impressa

Mina vira alvo de protestos em SC

Empreendimento para explorar fosfato obteve aval de órgão de licenciamento, mas moradores são contra atividade

Eduardo Nunomura

Há sete anos, Fernando Monteiro decidiu ir embora para sua Pasárgada, e assim batizou o sítio que escolheu, no meio da mata atlântica de Santa Catarina. Hoje, ele está triste, triste de não ter jeito, com a história da construção de uma mineradora perto de seu quintal. Mas, ao contrário do que imaginava o poeta Manuel Bandeira, Monteiro não é amigo do rei nem da Indústria de Fosfatos Catarinense (IFC), dona do projeto Anitápolis. A IFC quer explorar a maior jazida ainda intacta no País em uma área de 300 hectares, cercada de florestas, rios e pequenas comunidades. Monteiro e outros tantos lutam para barrar a obra.

Duas multinacionais, a Bunge e a Yara Brasil Fertilizantes, formaram a IFC e compraram 1,8 mil hectares na pacata cidade de Anitápolis. Há décadas sabe-se que naquele chão há o minério vital para o agronegócio. É o fósforo, identificado pela letra química P. Com o nitrogênio (N) e o potássio (K), forma o fertilizante NPK. O Brasil importa a maior parte do fósforo, porque é mais barato. Explorar jazidas como a de Anitápolis reduziria a dependência externa.

Monteiro é um paulistano que se refugiou na montanha. Casou-se com Regina Capistrano, mãe de Miguel, de 11 anos, e com ela teve duas filhas, as pequenas Mariana e Ana Clara. Eles compraram 5,5 hectares cortados por dois rios e nove nascentes d"água. Plantaram uma horta e construíram três cabanas para receber hóspedes. A pousada Sítio Pasárgada faz parte de um programa de inspiração francesa, a Acolhida na Colônia, onde turistas experimentam a vida no campo sem televisão, telefone ou internet. "Falo de rios limpos, rãs e matas intactas. As multinacionais dizem que vão preservar, mas a lógica delas é de quem só pensa em produzir", diz ele.

"A IFC não entende que a atividade de mineração seja destrutiva ao meio ambiente", rebate o diretor da empresa, Ademar Fronchetti, que espera obter o aval para as obras até o início de 2010. "Hoje, tanto as operações de mineração quanto os complexos químicos devem ser projetados visando condições de sustentabilidade, gerando riqueza e desenvolvimento, não só para o País, mas principalmente para a região onde está inserida."

AGRICULTURA ECOLÓGICA

O agroturismo é uma atividade referência em Anitápolis e nas cidades vizinhas das encostas da Serra Geral, uma vasta área de vales e montanhas banhada pela Bacia Hidrográfica do Rio Tubarão. Mais de 30 propriedades aderiram ao Acolhida na Colônia, que gera renda extra aos agricultores, mas exige preservar nascentes e tratar o esgoto. Outra vocação é a agricultura orgânica, praticada por famílias como a Willemann, em Santa Rosa de Lima. Cenouras, beterrabas, brócolis, vagens, pepinos e cebolas são produzidos sem agrotóxicos ou fertilizantes e vendidos a supermercados de São Paulo. "O maior problema é que vão mexer com a água. Ela é tudo para nós", preocupa-se Alexandre Willemann.

Na beira do Rio dos Pinheiros, afluente do Rio Braço do Norte, um dos principais formadores da bacia do Tubarão, os primos Antonio José e Valdenir Coelho identificaram uma grande rocha branca e levaram um especialista para conhecê-la. Descobriu-se que era o carbonatito, proveniente de uma mina de fosfato. Era fim dos anos 1970, quando agricultores das redondezas plantavam batatas e colhiam superbatatas. Havia fosfato demais no solo.

A empresa Adubos Trevo, hoje da Yara Brasil, arrematou o terreno e, com o fantasma da mineração, Anitápolis conheceu o êxodo rural - dos 8 mil habitantes, hoje são 3,3 mil.

Em 1987, quando a Adubos Trevo sondava o terreno, a Organização das Nações Unidas cunhava o termo "desenvolvimento sustentável". Desenvolver e preservar, dois lemas-chaves para o futuro, tem hoje interpretações distintas em Anitápolis. Prefeitura, Estado e União defendem o projeto da IFC. Outros prefeitos, ambientalistas e o Ministério Público são contra.

Por ano, a mina da IFC deve produzir 1,8 milhão de toneladas de fosfato, 500 mil toneladas de super fosfato simples, 200 mil toneladas de ácido sulfúrico (usado na mineração) e descartado 1,2 milhão de toneladas de material estéril. A área de lavra virará uma cratera a céu aberto e terá vida útil de 33 anos. A produção usará a água captada no Rio dos Pinheiros.

A previsão é de gerar 1,5 mil empregos na obra que durará três anos e 450 para a operação. Na região, não há trabalhadores especializados. A IFC vem pagando cursos de capacitação pelo Senai. "A mineradora atrairá outras empresas que gerarão empregos", diz o prefeito de Anitápolis, Saulo Weiss. Se o projeto vingar, a cidade verá o orçamento passar de R$ 4 milhões para R$ 6,5 milhões. O Estado e a União arrecadarão outros R$ 7,5 milhões em tributos.

TRANSPORTE DE CARGAS

Os prefeitos Evanísio Uliano, de Braço do Norte, e Celso Heidemann, de Santa Rosa de Lima, afirmam que só souberam do empreendimento após o aval do órgão de licenciamento estadual. "Há uma população em pânico. É preciso mais audiências e uma consultoria independente que ateste a segurança da obra", diz Uliano.

O transporte das cargas, desde o enxofre para a mineração que virá importado pelo Porto de Imbituba até o destino final do fosfato em Lages, ocorrerá pelas rodovias BR-101, BR-282 e SC-407. A partir de Lages, o produto será escoado por ferrovia. O prefeito de Rancho Queimado, Evanísio Leandro, teme pelo vaivém de caminhões, que passam, em média, a cada dez minutos. Sua cidade possui mais de 30 condomínios com casas de fim de semana para moradores de Florianópolis.

Exploracao toxica

Dom, 20/09/09 20:58 , monicakoe@estadao.com.br

O assunto eh muito mais serio do que parece.Uma das regioes mais belas e intocadas do pais recebera uma "serra pelada", com um desmatamento inicial de 500 ha. de mata atlantica.Mais de cem caminhoes gigantescos abertos carregados de enxofre irao por uma estradinha de serra, cortando cidades que provaram que o fosfato nao e necessario para a producao agricola. O ecoturismo, que mantem a populacao fixada nas cidades locais, sera prejudicado, o que trara desemprego.A mina a ceu aberto tem como subproduto o acido sulfurico.Alem da chuva acida, o terreno eh sujeito a desmoronamentos, ainda mais desmatado.O dejeto ira para a agua que abastece 3 rios. A empresa nao tera que reflorestar ou dar destino ao lama toxica ao acabar a concessao, que permite minerar qualquer minerio que la for encontrado(fala-se em uranio). Num local onde nao ha favelas e a qualidade de vida eh invejavel,a populacao nao foi consultada, foi tudo feito por debaixo dos panos.O fosfato pode ser obtido se outras fontes, como eh feito na Europa.

ROMANTISMO EGOISTA

Dom, 20/09/09 18:47 , abraaobastos@estadao.com.br

ESTE SITIANTE É IGUAL AOS ECOLOGISTAS QUE IMPEDEM A DRENAGEM DE UM PÂNTANO POR CAUSA DE UM NINHO DE PASSARINHO, MAS DEIXAM CRIANÇAS VIVEREM NA LAMA. OU OUTROS QUE IMPEDEM UMA ESTRADA POR CAUSA DA FAUNA , MAS DEIXAM FAMILIAS ISOLADAS. O BRASIL PRECISA DO FÓSFORO. É QUASTÃO DE SEGURANÇA ALIMENTAR. SUGIRO QUE ESTE INCOMODADO VÁ VIVER NO MEIO DE UMA RESERVA ECOLÓGICA, ELE NÃO SERÁ INCOMODADO POR NINGUEM, SÓ INCOMODA ELE PRÓPRIO A ECOLOGIA.



(de http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090920/not_imp438002,0.php)

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Felicidade x Produtividade - FIB x PIB

Quer ser feliz?

O índice de felicidade e o mundo a seu redor - Artigo

Que se deve pensar quando se chega à conclusão de que é preciso ensinar às crianças o que é felicidade e como buscá-la? Não é mais uma possibilidade implícita nos nossos modos de viver? É preciso ir buscar fora do cotidiano?

Washington Novaes - Jornalista especializado em meio ambiente

Há duas semanas, ganhou muito destaque na comunicação a notícia de que o Arquipélago de Vanuatu - 83 ilhas no Pacífico, com 209 mil habitantes, na maioria pescadores e agricultores que vivem numa economia pouco além do nível da subsistência - foi considerado pelo Happy Planet Index "o lugar mais feliz do planeta".

Criado pela New Economics Foundation e pela ONG Friends of Earth, o índice quer evidenciar que "não é necessário esgotar os recursos naturais da Terra para se ter uma vida relativamente longa e feliz".

E os habitantes de Vanuatu tiveram a melhor média de três indicadores básicos - esperança de vida ao nascer, bem-estar humano e nível dos danos ambientais causados ao país.

Nesse índice, o Brasil ficou em 65º lugar, atrás da Colômbia, da Argentina, do Chile e do Paraguai - até de Bangladesh. Os Estados Unidos ficaram com o 150º lugar, um dos últimos entre 178 países (Estado, 13/7).

Curiosamente, o noticiário não informou que Vanuatu é um dos países mais ameaçados do planeta - por mudanças climáticas.

Quem freqüenta as reuniões da Convenção do Clima certamente se tem encontrado ali com os representantes de Vanuatu, Tuvalu e outros dos mais de 30 países-ilhas ameaçados de desaparecimento pela elevação do nível dos oceanos em conseqüência da intensificação do efeito estufa.

Eles se cansam de mostrar que sua contribuição para as mudanças climáticas é praticamente zero - mas serão os que mais caro pagarão.

Da mesma forma, o noticiário pouca ênfase deu ao modestíssimo nível de consumo dos habitantes de Vanuatu - que, por isso mesmo, em quase nada contribuem para o segundo grande problema planetário do nosso tempo, a insustentabilidade dos padrões de produção e consumo, além da capacidade de reposição da biosfera terrestre.

Teria sido oportuno porque ainda recentemente se divulgou o estudo de 1.300 cientistas de 95 países, apoiados pelo Banco Mundial e pelo World Research Institute no projeto Millenium Ecosystem Assessment, mostrando que "60% dos serviços dos ecossistemas terrestres estão sendo degradados ou usados insustentavelmente", de uma forma que acentua os riscos de mudanças climáticas, colapso das reservas pesqueiras e muitos outros dramas.

Entre várias coisas, o estudo sugere eliminar por completo subsídios à agricultura, pagar a proprietários pela conservação e criar impostos proporcionais aos custos ambientais gerados.

Um terceiro relatório, do WorldWatch Institute (Vital Signs), acentua que o uso de recursos e serviços naturais já está 23% acima da capacidade de reposição, neste mundo em que o produto bruto chegou, em 2005, a US$ 59,6 trilhões.

Para dotar todos os habitantes do planeta do padrão de consumo dos países industrializados - diz o relatório - a população teria de ser reduzida para 1,8 bilhão de pessoas (está acima de 6,5 bilhões).

São advertências que se multiplicam e fazer pensar no recém-lançado livro O Mito do Progresso (Editora Unesp), do professor Gilberto Dupas, coordenador-geral do Grupo de Conjuntura Internacional da USP e co-editor da revista Política Externa.

Diz ele que "o progresso parece ter perdido o rumo", o que estaria evidenciado pela exclusão social, pela concentração da renda e pela degradação ambiental que esse progresso produz, juntamente com os riscos da microbiologia, da engenharia genética, da robótica, da nanotecnologia.

E tudo ameaçando a própria governabilidade no nosso mundo, onde a venda de armamentos já supera a casa de US$ 1,1 trilhão.

Há todo um capítulo do livro dedicado ao "meio ambiente e ao futuro da humanidade", no qual afirma que "são inúmeras as evidências das relações entre padrão tecnológico, lógicas da produção humana e danos ao meio ambiente".

Chega a incursionar até por um terreno pouco freqüentado, em que lembra que "o planeta foi-se tornando um imenso emissor de ondas eletromagnéticas, produto das múltiplas emissões de rádio, televisão, telefone celular e radar, cujas conseqüências sobre o meio ambiente e a saúde humana estão por ser determinadas".

No início de tudo, diz o autor, está a "naturalização da idéia de progresso" como algo em que é preciso "aceitar riscos", onde "não se pode voltar atrás", por maiores que sejam as ameaças.

Faz lembrar a famosa escritora norte-americana Hazel Henderson, para quem "economia é política disfarçada". "Urge uma nova ética da responsabilidade", diz o professor Dupas, depois de examinar a evolução do conceito de progresso e a "economia política como ciência do progresso".

Talvez uma evidência de quanto procedem essas preocupações esteja em outra notícia (Estado, 11/7), a de que 2 mil alunos de escolas públicas britânicas, na faixa dos 11 anos, começarão a ter "aulas de felicidade" (técnicas de respiração, jogos em grupo, entre outras), numa tentativa de enfrentar comportamentos anti-sociais e depressão (esta já atinge 10% das crianças inglesas nessa faixa de idade).

Que se deve pensar quando se chega à conclusão de que é preciso ensinar às crianças o que é felicidade e como buscá-la? Não é mais uma possibilidade implícita nos nossos modos de viver? É preciso ir buscar fora do cotidiano?

Ou a questão já estará muito mais agravada, a ponto de levar o famoso físico Stephen Hawking (autor de Uma Breve História do Tempo) a dizer, há poucos dias, que a humanidade precisará migrar para outros planetas (e para isso precisaria começar imediatamente a buscar esses lugares)?

Qualquer que seja a visão que se tenha, não é possível escapar da questão fundamental: já não se trata de "proteger o meio ambiente"; trata-se de limites à ação humana, já evidenciados e que, se não forem respeitados, porão tudo em risco, como tem advertido o secretário-geral da ONU, Kofi Annan. Se as nossas lógicas se contrapõem a essas evidências, terão de ser modificadas.


(de http://www.ufcg.edu.br/prt_ufcg/assessoria_imprensa/mostra_noticia.php?codigo=2837)

Não se pode separar economia e ecologia

Não se pode separar economia e ecologia, diz Jeffrey Sachs

Economista afirma que planeta segue 'trajetória totalmente insustentável e profundamente perigosa'

O renomado economista americano Jeffrey Sachs

BBC

O renomado economista americano Jeffrey Sachs

- O renomado economista americano Jeffrey Sachs, professor da universidade americana de Columbia, afirmou nesta quarta-feira, 16, que o planeta está em uma "trajetória totalmente insustentável e profundamente perigosa" e que não é mais possível separar economia e ecologia.

Veja também:

linkAquecimento pode reduzir PIB de países em até 20%, diz estudo

link Derretimento no Ártico pode afetar 25% da população mundial

link Mundo deve estar pronto para crise climática, diz Reino Unido

link Mudança no clima custará US$ 400 bi anuais, diz estudo

especialExpansão econômica vs. sustentabilidade

especialMapa da emissão de carbono

"Não podemos mais pôr economia e ecologia em categorias separadas. Elas nunca estiveram em categorias separadas", afirmou Sachs, que presta consultoria a vários governos, durante uma conferência em Genebra, na Suíça.

Na palestra, promovida pela agência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad), Sachs criticou o formato do atual processo de negociações sobre mudança climática.

Para ele, em vez de diplomatas, engenheiros e cientistas deveriam sentar-se à mesa para discutir.

"O problema das mudanças climáticas não é uma negociação de comércio. É simplesmente o problema mais complexo de engenharia, economia e social que a Humanidade jamais enfrentou", afirmou o estudioso.

A pouco mais de dois meses do início da conferência de Copenhague que deve criar uma política de combate ao aquecimento global para o mundo a partir de 2012, o economista não poupou críticas às negociações - atualmente paradas em impasses.

'Bobagem'

"A questão sobre uma meta nacional ser obrigatória ou não é uma das questões menos interessantes. De que adianta ser obrigatória se você não é capaz de cumpri-la? É bobagem. Deveríamos estar discutindo o que podemos fazer, não o que obrigatório, o que podemos fazer agora, em cinco, dez anos."

O economista fez um apelo por um esforço coordenado de especialistas para que se saiba o que pode ser feito para permitir desenvolvimento econômico e melhoria das condições de vida de milhões miseráveis, ao mesmo tempo em que se enfrenta problemas ambientais já "insustentáveis ressaltados pelas mudanças climáticas".

Para abordar um problema tão complexo, em vez de discutir metas de emissões, Jeffrey Sachs afirma que a convenção da ONU para mudanças climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês) deveria criar um corpo técnico que analisaria opções e custos para ações de curto prazo em cada país.

Em sua palestra, Sachs sugeriu uma nova parceria pública-privada para criar os grandes sistemas técnicos necessários.

"Podemos alcançar um crescimento econômico com impacto muito menor se pensarmos claramente, sistematicamente, em termos de sistemas, e baseados em objetivos globais."

O economista americano criticou a falta de sustentabilidade não só na área de meio ambiente. Para ele o mundo atual é "socialmente insustentável".

"A distância entre os ricos e os pobres está aumentando. Muitas das pessoas mais miseráveis do planeta estão morrendo por causa de sua pobreza, e se não morrem, sofrem e ficam cada vez mais para trás."

Jeffrey Sachs concluiu que a mensagem da comunidade científica é de que o mundo está à beira de um futuro quadro potencialmente catastrófico,

"Mais cedo ou mais tarde, cientistas vão nos dizer que essa área é inabitável."

O economista afirmou ainda que então será "tarde demais", porque mesmo que as emissões sejam cortadas a zero, o atual acúmulo de gases na atmosfera terá efeito durante um longo tempo.

"Estamos vivendo apenas a metade daquilo que já provocamos", concluiu.



(de http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,nao-se-pode-separar-economia-e-ecologia-diz-jeffrey-sachs,435825,0.htm)

RPPNs

RPPN: inscrições abertas para 8.º edital - http://bit.ly/hFsKS

Deu n´O Estadão (http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,rppn-inscricoes-abertas-para-8-edital,435730,0.htm)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Mais uma cidade "de costas para o rio" perdendo dinheiro...

Rios Iguaçu e Paraná expõem contrastes entre Brasil e Argentina

Plantão | Publicada em 14/09/2009 às 11h10m

(de http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2009/09/14/rios-iguacu-parana-expoem-contrastes-entre-brasil-argentina-767596960.asp)

Portal RPC

Hotel Hilton erguido do lado argentino das Cataratas do Iguaçu - Reprodução Portal RPC/Afiliada TV Globo

CURITIBA - Duas realidades opostas compõem o mapa geográfico da Tríplice Fronteira. Na Argentina, empreendimentos de luxo prosperam às margens do Rio Iguaçu, em plena área de mata nativa. No Brasil, a orla do Rio Paraná é dominada por moradias irregulares e operações noturnas de narcotraficantes. As decisões políticas passadas pesam no cenário atual.

Os argentinos preservaram boa parte da mata nativa à beira do Rio Iguaçu e conseguiram conter a ocupação irregular. No Brasil, a história é diferente. A barranca do Rio Paraná começou a ser tomada por moradias irregulares a partir de 1970, impulsionada pelo boom populacional desencadeado pela construção da hidrelétrica de Itaipu. A população de Foz do Iguaçu, de 33.970 habitantes em 1970, passou para 136.320, em 1980.

Com a beira do Rio Iguaçu preservada, os argentinos conseguiram colher frutos e preparar um cenário ideal para atrair investimentos milionários na atualidade, além de acomodar os turistas que visitam as Cataratas do Iguaçu. Assim, surgiu um projeto do governo de Misiones, província vizinha ao Paraná, detentor das terras: um megacomplexo turístico com 45 empreendimentos, entre hotéis, quadras de golfe e parques temáticos. O condomínio, 'ecologicamente correto' começou a ser construído há quatro anos em uma área de 600 hectares, em Puerto Iguazú, cidade vizinha a Foz do Iguaçu.

Dos 600 hectares, o governo destinou 280 para uma reserva indígena Mbya guarani onde vivem 50 famílias. Outros 320 hectares foram divididos em 45 lotes para atrair os investidores da iniciativa privada. Nesta fatia de terra há 25 projetos de hotéis de três e quatro estrelas, 10 hotéis de cinco estrelas, centros para criação de animais e cinco parques temáticos, um deles dedicado ao resgate da história das Reduções Jesuíticas - comunidades criadas para catequizar índios.

Esse parque terá hotel e um teatro com capacidade para 300 pessoas, cujo anfiteatro será ornamentado por um rio artificial propício para encenar a saga indígena. Dos 45 projetos, 15 já saíram do papel e estão em fase de construção. Três já foram inaugurados. Outros quatro empreendimentos começam a funcionar no próximo ano, incluindo o Hotel Hilton, às margens do Iguaçu. Há também estabelecimentos da bandeira Lois Suítes, Hyatt e Radisson.

Os investimentos, que passam de US$ 1 bilhão, segundo o diretor geral da Secretaria de Turismo em Puerto Iguazú, Eduardo Allou, não param por aí. Uma rede da Índia, que já tem um estabelecimento em Dubai, está negociando com o governo a construção de um hotel sete estrelas. Somam-se aos hotéis, um anfiteatro a céu aberto e um restaurante com 400 lugares, que será inaugurado ainda este mês, também à margem do Iguaçu. Com os projetos, os argentinos irão disponibilizar mais 4.500 leitos à fronteira e gerar 3.800 empregos diretos e outros 2 mil indiretos. Hoje, Puerto Iguazú comporta 7 mil leitos. Em Foz do Iguaçu, a rede hoteleira oferece 18.800 leitos.

Segundo Allou, os empreendimentos precisam respeitar rigorosamente normas ambientais.

- Nenhum prédio pode ter mais de quatro andares para não superar a altura das árvores - diz.

Em lotes de 10 hectares, a área construída não pode passar de 20%.

Do lado de cá

No lado brasileiro, a orla do Rio Paraná não tem hotéis, mas sobram mato e barracas. A única edificação marcante é o Espaço das Américas, anfiteatro público inaugurado em 1997, situado junto ao Marco das Três Fron­teiras, onde os rios Iguaçu e Para­ná se encontram. Dois clubes privados de pesca mantêm restaurantes próprios no local. Mas o fluxo de turistas na pe­­que­­na área turística ainda é tí­­mido por dois motivos: falta de atrativos e de segurança. A construção de um restaurante com vista panorâmica, prevista para o local, está parada.

A maior parte da orla, entre a região da Ponte da Amizade até o Marco das Três Fronteiras, pertence à União por estar em uma área de fronteira e atualmente é dominada por moradias irregulares. São 910 famílias que vi­­vem em cinco favelas à beira do Rio Paraná, nos limites com o Paraguai. À noite, o lugar ocupado por moradores e pescadores dá espaço para barcos que saem do Paraguai em direção ao Brasil com mercadorias e drogas. A prefeitura está pleiteando junto ao governo federal recursos para remover 100 famílias de umas das favelas, a do Bambu. Para as demais não há previsão nem dinheiro disponível, pelo menos em curto prazo.

A realidade incomoda o setor de turismo de Foz do Iguaçu, principalmente a rede hoteleira, que deve ver uma migração de turistas em direção a Puerto Iguazú.

Para o presidente do Conselho Municipal de Turismo de Foz do Iguaçu (Comtur), Paulo Angeli, seria possível Foz do Iguaçu alavancar o turismo a partir da construção de restaurantes, mirantes, áreas de lazer e de esportes nas proximidades dos rios Iguaçu e Paraná. No entanto, os investimentos es­­ barram na legislação.

- A barranca do Rio Paraná está ocupada pelas favelas e pela marginalidade. Entendemos que existe gente de bem lá, mas não há legislação que incentive o empresário a ter responsabilidade se ele puder investir na área - diz.

O chefe regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) Irineu Rodrigues Ribeiro diz que a Lei 4.771 de 1965 impede a construção em áreas de preservação permanente. A faixa de recuo varia conforme o tamanho dos rios. No Rio Paraná, em Foz do Iguaçu, a média é 200 metros. Caso a obra seja de utilidade pública, como é o caso do Espaço das Américas, podem ser feitas concessões após minucioso estudo para minimizar o impacto ambiental.

Culturas diferentes

O pesquisador do mestrado de História da Unioeste German Sterling diz que na Argentina já existe uma cultura que privilegia a relação entre a população e o rio. O exemplo começa em Posadas, capital do estado de Misiones, onde as margens do Rio Paraná são movimentadas pela prática de esporte, por restaurantes e por festivais, constituindo um verdadeiro dinamismo cultural.

- Os moradores de Foz estão de costas para o rio. Não há uma cultura como existe em Puerto Iguazú, onde os moradores se reúnem próximo ao rio ao entardecer e às noites - diz Sterling

Na análise dele, a revitalização ribeirinha sairia mais barata ao Brasil do que o custo social decorrente da realidade atual.

- O prejuízo social causado pelo tráfico poderia ser amenizado por uma ocupação racional, sustentável e ecológica - sugere.

No entanto, segundo Sterling, é preciso pensar em um projeto que inclua os moradores atuais da área. Para o sociólogo Afonso de Oliveira, Foz do Iguaçu sentirá um impacto no futuro.

- O que pode acontecer é o turista preferir se hospedar na Argentina e vir a Foz só para visitar as Cataratas - alerta.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Onde buscar o fósforo para adubação? Nos esgotos das cidades!

A matéria orgânica dos esgotos das cidades é rica em fósforo. Os esgotos são um problema. Precisam ser tratados antes de se lançar ao mar ou nos rios. As estações de tratamento atualmente apenas oxidam a matéria orgânica (decomposição aeróbica), liberando muito nitrogênio no ar. O Nitrogênio é outro elemento dos adubos atualmente utilizados na agricultura (NPK = Nitrogênio, Fósforo, Potássio).

Os esgotos e o lixo orgânico das cidades podem ser utilizados em biodigestores. Estes, durante a decomposição anaeróbica, FIXAM o nitrogênio em lugar de libera-lo. Além disso as bactérias anaeróbicas geram o METANO, um gás que pode ser utilizado como combustível. Este gás é muitas vezes gerado nos LIXÕES e é um dos responsáveis pela destruição da camada de OZÔNIO (O3).

Vejam artigo da Folha de São Paulo abaixo:

08/09/2009 - 09h12

Pesquisa da USP aprova uso de esgoto tratado como adubo

REINALDO JOSÉ LOPES
da Folha de S.Paulo

Irrigar plantações com esgoto tratado não só é perfeitamente seguro para vegetais e seus consumidores humanos como faz lavouras de cana, milho e tifton (gramínea usada em pastagens e para produzir feno) produzirem 30% mais.

Os resultados são de uma parceria entre a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) e pesquisadores da USP de Piracicaba, que testaram o uso dos efluentes das estações de tratamento em plantações experimentais numa área de sete hectares do município de Lins, a 446 km da capital paulista.

"O aumento na produtividade se deve à própria água e aos nutrientes contidos nela, como nitrogênio e fósforo", explica Célia Regina Montes, especialista em mineralogia de solos da USP. Esses dois nutrientes são justamente os mais comuns no que sobra do tratamento do esgoto doméstico, rico em matéria orgânica, diz Luiz Paulo de Almeida Neto, superintendente da Unidade de Negócio Baixo Tietê e Grande da Sabesp.

Almeida Neto explica que as estações de tratamento mais comuns no interior paulista removem cerca de 85% da carga orgânica do esgoto. "O ideal é que os 15% que sobram voltem para o solo, até porque esses nutrientes originalmente vieram do solo por meio dos produtos de origem vegetal e animal que nós consumimos", diz.

Menos adubo

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As vantagens para os agricultores seriam consideráveis. Primeiro, eles não precisariam pagar pelo nitrogênio e fósforo dos adubos industriais --só pelo potássio, que normalmente forma uma tríade com os outros dois elementos. "Além disso, a carga orgânica também melhora a estrutura do solo e diminui a erosão", afirma ele.

Os bons resultados obtidos em Lins são similares aos que se vê em países com pouca chuva e interesse em reaproveitar o máximo de água, como Israel, Egito e Austrália, diz Montes. "No Brasil, essa técnica ainda não é utilizada pelo fato de não existir, até agora, uma legislação específica sobre o assunto", explica a pesquisadora da USP.

A ideia é que os estudos sejam utilizados como base para regulamentar a prática no Brasil. Para Montes, desde que a irrigação seja bem planejada, não há risco de contaminar o lençol freático ou os rios. "Temos muitos agricultores interessados na ideia", diz Almeida Neto.

(de http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u620734.shtml)